Problemas no relacionamento? Não discuta a relação!

Quando você se imagina falando para seu parceiro “Precisamos discutir a relação”, você pode receber duas reações; a primeira seria ele falar “Puxa, estava pensando na mesma coisa!” ou “Eu concordo, tem algumas coisas que eu ando reprimindo e preciso falar sobre”. A segunda reação seria uma atitude na defensiva, frustrada e incomodada, onde ele provavelmente aceitaria conversar, mas durante a mesma, se tornaria monossilábico e reviraria os olhos, como se sentisse sendo punido por um crime que não cometeu, e tudo terminaria pior do que começou.

Se a primeira reação é a mais comum entre você e seu parceiro, parabéns! Vocês estão muito bem e provavelmente nem precisariam estar lendo esse artigo. Porém, se você faz parte da grande parte das mulheres nesse mundo que recebem a segunda reação, então você deve ficar sabendo que estudos feitos por dois famosos terapeutas americanos — Patricia Love e Steven Storny, mostraram uma solução bastante incomum para esses problemas de casais; não discuta a relação.

Essa solução inovadora foi o que deu nome ao livro lançado no começo de 2007; “Não Discuta A Relação” apresenta, com uma linguagem de fácil compreensão, por que ter a tal da “DR” (discutir relação) é a pior idéia de todas, e que há formas muito mais inteligentes e sutis de contornar os problemas do relacionamento amoroso.

A diferença entre os sexos

A ideia se baseia em duas generalizações (sim, pois não se trata de casos particulares, e sim todo um estudo com um grande número de casais); “As mulheres querem conversar sobre a relação por que estão tristes e querem se sentir melhor. Os homens não querem conversar por que falar não faz com que se sintam melhor. Na verdade, isso os deixa se sentindo pior! Assim, quer ela o obrigue a falar, quer não, os dois acabam se sentindo decepcionados e desconectados”, o livro nos conta.

O motivo dessas reações tão opostas está na diferença sutil em que cada sexo vivenciam o medo e a vergonha, uma diferença que já se faz notar logo após o nascimento. As mulheres sentem a necessidade de discutir a relação, pois a falta de conexão as deixa ansiosas, isoladas e com medo. Os homens não querem discutir a relação, pois descobrir a insatisfação de sua parceira os levam a profundas sensações de fracasso e vergonha.

Ambos não conseguem se conectar, pois o medo dela a impede de compreender a vergonha dele, e a vergonha dele o impede de perceber o medo dela, criando assim um péssimo ambiente para conversar sobre a relação, pois o casal só vai conseguir partilhar mágoas. Entender os pontos fracos do outro dá uma perspectiva maior para que se contorne os problemas do casal evitando a mágoa que o medo e a vergonha podem proporcionar. Vocês poderão fazer isso, se ambos estiverem decididos.

Outros segredos sobre os homens

A experiência clínica dos dois famosos terapeutas mostraram também que grande parte dos homens (inclusive aqueles que parecem ignorar ou não dar valor à presença de suas parceiras) deseja uma relação mais íntima e mais profunda da mesma forma que as mulheres (acredite ou não!).

Na maior parte dos casos, eles consideram as parceiras suas melhores amigas, confidentes mais íntimas e as pessoas mais importantes de suas vidas. “E apesar dos esteriótipos sugerirem que eles estão sempre interessados em criaturas mais belas e jovens, os homens, com frequência, se revelam satisfeitos com a aparência de suas parceiras. Na verdade, a grande maioria não quer que as mulheres de sua vida mudem”.

Uma outra revelação fantástica das experiências clínicas foi que o casamento e os relacionamentos sólidos são mais importantes para a saúde e o bem-estar dos homens do que das mulheres. Homens solteiros não vivem tão bem, nem por tanto tempo e nem “sobrevivem” com a mesma qualidade de vida dos casados/comprometidos. “Eles tem uma tendência consideravelmente maior ao alcoolismo, ao suicídio, a doenças físicas e mentais, demissões e a bater com o carro ou sofrer outros acidentes.”

“Eles frequentemente perdem contato com os amigos, deixam de lado os compromissos religiosos, não vão a festas ou a passeios e um dia se isolam completamente, a não ser por um eventual companheiro de bebida. Em resumo, eles perdem o significado e propósito. Sem uma boa parceira, os homens simplesmente se arrastam pela vida“.

Se as pesquisas estão corretas (e a experiência clínica dos prestigiados terapeutas diz que estão), é evidente que homens e mulheres querem igualmente um relacionamento com intimidade e proximidade. Então qual é o problema?

A falta de conexão

A falta de conexão entre um homem e uma mulher é o maior fator para o índice de divórcios nos dias de hoje. Cerca de 80% dos divorciados dizem que simplesmente “se afastaram”, o que é bem trágico, pois é desnecessário. O casal não está desconectado por que têm uma comunicação deficiente; eles tem uma comunicação deficiente por que estão desconectados.

No início do relacionamento, é comum ver a conexão pois ambos se comunicam muito bem, conversando horas a fio. Quando a mulher se mostrava vulnerável, o homem reagia apoiando-a e protegendo-a. Ela se sentia amada porque estava emocionalmente conectada com ele, e não tinha medo por que acreditava que ele sempre estaria presente. O homem também se sentia amado por que estava emocionalmente conectado a sua parceira. Ela o fazia se sentir importante e bem-sucedido como amante, protetor e provedor, o que reduzia qualquer ameaça de vergonha e inadequação. Um verdadeiro conto de fadas.

A maior oportunidade para salvar o relacionamento é voltar a esse estado de conexão tranquilizador e fortalecedor. É necessário uma conexão até mais profunda do que aquela que tinham no começo do relacionamento; é necessário a conexão e o amor que vai além das palavras.

Reconstruindo e reinventando

Porém, como se conectar com a pessoa que você ama quando ambos andam cheios de ressentimento? Você faz isso a partir de seus valores essenciais. Você escolhe a aproximação ao decidir que ambos ficarem bem juntos vale muito mais que ignorar ou desvalorizar seu parceiro. Os sentimentos ruins vêm do afastamento e da desunião; em seus valores essenciais, sua compreensão pela pessoa mais importante da sua vida assumirá o controle e o levará à proximidade que os dois querem.

Para isto, o livro apresenta “A Fórmula do Poder do Amor“, com quatro passos:

1. Fixe firmemente seu parceiro no coração durante quatro momentos cruciais do dia. Para fazer isso, você deve pensar em um breve gesto que reconheça o significado do seu parceiro. Pode ser repetir uma frase como “Você é tão importante para mim” ou “Você dá valor a minha vida”. Pode ser simplesmente estender a mão para um breve afago, ou usar contato visual gentil. O que quer que você faça deve, efetivamente, vir do coração.

Depois que você decidir qual vai ser o seu gesto afetuoso, pratique-o diariamente, durante os quatro momentos cruciais do dia; (1) quando você acorda, (2) antes de sair de casa, (3) quando chega em casa, (4) antes de ir dormir. Por que esses momentos são cruciais? Por que eles formam uma espécie de corrente que começa pela manhã e se estende pelo dia, aumentando toda a probabilidade de um dia positivo e satisfatório.

O segundo momento dá a tônica para o tempo em que os dois ficarão separados. O terceiro momento estabelece um tom positivo para passarem as horas antes de dormir juntos e com conforto. E o quarto momento acalmará os sonhos e transmitirá seu amor para a manhã seguinte.

2. Abrace seu parceiro seis vezes ao dia, por seis segundos. Com o tempo, deixar de se abraçar se tornará uma fórmula para o desastre, pois quanto menos vocês se tocarem, mais ressentidos ficarão. Abrace seu parceiro, em um abraço envolvendo todo o corpo, por um mínimo de seis vezes ao dia, pois isso facilitará um novo nível de proximidade. O mínimo de seis segundos para cada abraço reconhece o fato de que, no início, alguns abraços serão forçados.

Eles podem começar forçados, mas se tornarão mais autênticos no quarto ou quinto segundo, desde que vocês ainda estejam próximos e não tenham entrado no estágio do desdém da separação. Esse tipo de abraço aumentará o nível de serotonina, fazendo ambos se sentirem melhor e menos tensos.

3. Tenha pensamentos positivos sobre seu relacionamento. A certa altura do seu dia de trabalho, com a frequência que você puder, pare por dez segundos para ter pensamentos positivos sobre seu parceiro, listando pelo menos três coisas.

4. Faça um contrato para dar amor com compreensão e generosidade. Para esse passo, faça um documento que declare “É assim que mostrarei meu amor por você todo dia”. Faça-o curto e simples, escreva-o como um compromisso legal e faça-o para ser cumprido todo dia. Para estruturar seu pensamento, procure complementar as frases “Se eu o/a amasse, eu faria…” e “Eu a partir de agora concordo em…”.

Praticar essa rotina dará um bom suporte emocional, iniciando uma jornada para um amor que está além das palavras.

Para finalizar, a saída para o medo e a vergonha

Mesmo com todas as melhores intenções, fica difícil de evitar incitar a vergonha ou o medo do parceiro. Por isso, o livro fala sobre “o processo de três erres: Reconhecimento, Remorso e Reparo“:

Reconhecimento – para reconhecer o comportamento que magoou o parceiro, você deve ser capaz de enxergar pelo ponto de vista dele. Essa pode ser uma experiência humilhante por que a maior dor ocorre ao magoar alguém que se ama, coisa que ninguém gosta de reconhecer, pois cria um desconforto em si mesmo. Porém, a única maneira de se livrar da dor, é reconhecer a dor.

Remorso – Dizer “eu sei que magoei você” sem sentir mágoa é muito pouco para fazer tudo ficar bem. Falar não muda sua atitude, portanto é necessário o aspecto corretivo do remorso para evitar que a insensibilidade ocorra novamente. A sensação do remorso (o pesar, a culpa e o ressentimento) é desagradável, pois, depois que seu cérebro conecta seu comportamento ofensivo à dor do remorso, você evita esse comportamento como a uma praga. Dessa forma, o remorso é corretivo.

Reparo – “O reparo pode vir de muitas formas. Por exemplo, as mulheres tendem mais a fazer um reparo verbal. Isto é ótimo, desde que o discurso seja acompanhado de uma ação. Para que o reparo funcione, seus atos devem parecer diferentes. Se você dissesse ‘eu lamento ter dado mais importância a um telefonema que a você, por favor, me perdoe’, e na ocasião seguinte atender o telefone da mesma maneira, o reparo não teria ocorrido. Se você dissesse um simples ‘desculpe’ e depois continuasse sintonizada no parceiro em vez de no telefonema na ocasião seguinte, seu reparo seria eficaz”.

Os homens tem uma forma diferente de fazer o reparo, com um comportamento do tipo “vamos tomar um sorvete”, ou “posso te ajudar em alguma coisa?”. Pode haver grandes problemas se você ficar sentada esperando que ele venha até você com uma versão feminina do reparo em vez de reconhecer o novo comportamento melhor, por que esse é o jeito com que os homens costumam fazer a conexão.

A convivência pode ser difícil, mas se você praticar a Fórmula do Poder do Amor e o poder dos três “R”s, além de tentar sempre compreender a vulnerabilidade do parceiro, você finalmente encontrará um amor que está além das palavras.

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